Em busca do Yeti perdido
Eduardo Nasi
(publicado no jornal Zero Hora do dia 27 de julho de 2000)
O escritor, jornalista e ex-editor gaúcho Airton Ortiz foi ao Everest. Em vez de buscar o "verdadeiro eu" ou misticismos assemelhados, ele preferiu percorrer as trilhas do Yeti, o popular
Monstro do Pé Grande. O resultado da viagem é o livro Na estrada do Everest, que tem lançamento e sessão de autógrafos hoje, às 19h, no teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mário Quintana. A renda vai para a Campanha do Agasalho.
Aqueles escritores norte-americanos de best-sellers que fazem os críticos torcerem o nariz têm uma fórmula genial para vender os seus romances: uma cuidadosa pesquisa sobre o assunto que vão tratar. Se é sobre a Bolsa de Valores, chegam a passar dias acompanhando o pregão no local. Quando o tema do romance é um cassino, perseguem jogadores inveterados no seu habitat natural. Depois, espalham esse conhecimento pelas páginas dos livros. Quem ganha é o leitor, que, além de comprar um livro que o diverte, ganha informações sobre o ambiente em que se passa a narrativa, como se fosse um brinde.
O truque foi desenvolvido, provavelmente, pela observação das narrativas de aventura. O gênero, cujo expoente mais célebre é Marco Polo, é aquele em que o relato de um autor-explorador revela ao leitor os meandros de terras distantes e exóticas. O fascínio da literatura de viagens é o do enigmático e da aventura, claro. Nessas histórias, o ser humano é desafiado em território alheio. O mais badalado exemplo recente é o navegador Amyr Klink, que também escreveu livros. Mas um dos mais conhecidos nem pertence ao universo dos livros: o antropólogo e protagonista de cinema Indiana Jones.
Relato provoca o interesse pelo misticismo do Tibete
Ortiz é o mais próximo de um Indiana Jones que o Rio Grande do Sul já produziu. Após desbravar o Kilimanjaro (em Uma aventura no topo da África, também lançado pela Record), ele se mandou para o Himalaia. A viagem ao local é o melhor do que qualquer pesquisa para o leitor que procura informação junto ao entretenimento. Até porque o relato é de alguém que pisou na neve da mais alta cadeia de montanhas do mundo. Como se já não bastasse a lenda do Yeti - que não passa de um pouco de metáfora e de uma pitada de fantasia -, há todo o interesse místico-político que o Tibete cria. Afinal, quem nunca sonhou em perguntar a um mestre tibetano qual o sentido da vida?
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