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Na Trilha da Humanidade - 10

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O Homem de Clóvis
O Alasca não está preparado para mochileiros. Não existem ônibus de linha, por exemplo. Ou fazemos parte de um grupo turístico ou temos o nosso próprio motorhome. Após alguns dias de espera, precisei pegar uma carona em um caminhão para cruzar a fronteira e viajar até Whitehorse, capital do estado canadense do Yukon.

Assim como eu agora, alguns milhares de anos atrás nossos ancestrais também não estavam contentes confinados no Alasca. Não haviam atravessado a Sibéria para terminarem encurralados por uma gigantesca geleira, maior do que todas as que eles já haviam enfrentado. 
Há 14 mil anos a.C., no entanto, as geleiras começaram a recuar. Depois de mais ou menos mil anos, a diminuição das temperaturas ocorridas devido ao arrefecimento da 23ª Era Glacial permitiu que a natureza abrisse um corredor gelado em direção ao sul, no lado oriental das Montanhas Rochosas, na faixa em que as planícies canadenses encontram os contrafortes da cordilheira.

Uma trilha para o Sul
Esse corredor deve ter sido, a princípio, uma passagem perigosa, com altas paredes de gelo, grandes lamaçais e ventos cortantes. Com o tempo, porém, a passagem se alargou, o terreno secou e há cerca de 12 mil anos a.C.  os especialistas ainda discutem a data  as condições se tornaram favoráveis para a passagem de seres humanos, possibilitando aos povos do norte cruzarem pela primeira vez para o Canadá e chegarem às Grandes Planícies, onde hoje se localiza a cidade de Edmonton, capital do estado de Alberta.

Como eu vinha seguindo o mesmo caminho, em Whitehorse peguei um ônibus, cruzei a Columbia Britânica e desci até a moderníssima e chiquérrima Edmonton.

Essa passagem eliminou a última barreira real entre o Alasca e o Brasil para os seres humanos. Os pioneiros de Edmonton teriam encontrado as Grandes Planícies, prosperado, crescido numericamente e, gradualmente, se espalhado em direção ao sul, para ocupar todo o hemisfério. 
Tão logo as condições do terreno permitiram, esses intrépidos viajantes continuaram sua jornada migratória para o Sul. E eu, assim que consegui um ônibus, fui atrás.

Após visitar Edmontom continuei minha jornada na trilha dos nossos ancestrais, seguindo sempre pela costa oriental das Montanhas Rochosas, ao lado das grandes geleiras que ainda hoje cobrem a cordilheira. Viajei para Jasper, percorri a Icefield Parkway até Banff e segui para Calgary e Vancouver. Ingressei nos Estados Unidos por Seattlel, no estado de Washington, de onde viajei para Portland, no Oregon. Atravessei o estado de Idaho e entrei em Utah, atingindo Salt Lake City, a capital dos mórmons. Passei pelo Colorado e cheguei a Santa Fé, capital do Novo México. Um pouco mais de estrada e finalmente estava na pequena cidade de Clóvis, na divisa do Novo México com o Texas, perto da fronteira com o México, onde estão os vestígios mais importantes do homem primitivo norte-americano.

Do Alasca ao Novo México foram mais de 10 mil km de estrada utilizando transporte público como meio de locomoção, especialmente os ônibus da Greyhound.

O Homem de Clovis
Em 1932, A. W. Andersen encontrou nas cercanias da cidade de Clovis, no Novo México, os primeiros vestígios humanos na América do Norte. Eram grandes pontas de pedras feitas para serem encaixadas na extremidade de lanças, utilizadas na caçada aos grandes animais que viviam na região. As ferramentas dessa cultura, atualmente conhecida como “Tradição Clovis”, eram feitas com pedras de alta qualidade, especialmente as provenientes de lava vulcânica, encontradas a quilômetros de distância das suas habitações tradicionais, a primeira prova da existência de uma industria armamentista no território norte-americano.

Durante muitos anos o Homem de Clovis permaneceu como a evidência mais antiga da presença humana nas Américas, ganhando o título de “os primeiros americanos”. Nos últimos anos, no entanto, paleontólogos vêm afirmando que não se deve descartar a possibilidade do homem ter entrado em nosso continente em épocas anteriores.

Nossos ancestrais continuaram se expandido para o Sul em busca de novas terras. 

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Produção: 360 Graus - Multimídia
Contatos: ortiz@360graus.com.br