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Na Trilha da Humanidade - 02

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Gêneses

Há alguns milhões de anos nosso planeta passou por dramáticas mudanças climáticas. Na África, as temperaturas caíram muito e o continente se tornou extremamente seco e árido. As florestas diminuíram, surgindo uma nova vegetação: a savana. Os animais, inclusive os grandes símios, foram obrigados a se adaptar a esse novo ambiente. A diminuição da selva os obrigou a fazerem contínuas incursões nas planícies em busca de alimentos, levando-os a viver na orla entre as árvores e os campos.
Como esse novo hábitat exigia algumas características físicas especiais, certas espécies se extinguiram, outras conseguiram se adaptar. Algumas dessas adaptações foram tão bem sucedidas que geraram novas espécies, aptas a viverem cada vez mais tempo no solo.

Há pouco mais de 7 milhões de anos, no centro-leste da África equatorial, a população de macacos se dividiu, por adaptações genéticas, em vários grupos. Um desses grupos de antropóides cindiu-se em duas novas espécies. Uma delas evoluiu para os atuais gorilas, a outra deu origem a uma nova criatura, um chimpanzé arcaico, que se bifurcou em duas novas espécies-filhas: a primeira levaria aos chimpanzés atuais; a segunda chegaria, através dos Australopithecus, como a famosa Lucy, que viveu há 3,18 milhões de anos em Hadar (Etiópia), aos hominídeos.

Hominídeos

Essa linha evolutiva que nos levou a alcançar uma postura quase vertical começou a aumentar o tamanho do corpo e do cérebro, dando aos descendentes dos Australopithecus a capacidade de desenvolverem aptidões para a fabricação de ferramentas e o futuro desenvolvimento da linguagem e da comunicação.

Há 1,8 milhão de anos, na garganta do rio Olduvai (Tanzânia), um bípede com um cérebro particularmente avantajado e mãos bem desenvolvidas começou a alterar objetos naturais batendo as pedras umas nas outras para criar lascas com bordas afiadas, utilizadas para retalhar animais mortos por outros carnívoros. Essa transição deu origem ao Homo habilis.
Há 1,6 milhão de anos, às margens do lago Turcana (Quênia), uma ramificação do Homo habilis adotou uma postura ainda mais vertical, resultando no Homo erectus. Embora ele fosse parecido com o Homem Moderno em tamanho físico, seu cérebro era pouco mais da metade do nosso. Com o passar dos séculos eles evoluíram para Homo sapiens, com esqueletos maiores e crânios mais arredondados e menos angulosos.

Humanos Modernos

Seguindo essa linha de evolução, as contínuas bifurcações acabaram levando a um pequeno grupo de humanos diferentes de todas as espécies anteriores: nós! Há 200 mil anos já vivíamos nas savanas e florestas da África Oriental.

O crânio fóssil mais antigo pertencente a um membro dos Humanos Modernos foi encontrado na margem do rio Omo (Etiópia). Com uma idade provável de 195 mil anos, o crânio reconstituído apresentou uma testa quase vertical, maçãs do rosto relativamente planas e saliências ósseas muito menores em volta dos olhos do que os membros anteriores do gênero Homo. Sem dúvidas, era um dos nossos. 

Inicialmente esse grupo era muito pequeno, ocupando uma área menor do que o Rio Grande do Sul. Embora tenham sido ameaçados de extinção em algumas ocasiões – para a felicidade e regozijo geral de todos nós –, por estarem melhor adaptados ao meio ambiente do que seus antecessores eles conseguiram sobreviver. Melhor: após um certo tempo, começaram a se expandir.

Primeiro dentro do continente, marchando para o sul. Depois para outras terras mais distantes. Há cerca de 120 mil anos, seguiram para o norte em busca de novos territórios. Subiram pelo vale do Nilo até o Mediterrâneo, dobraram a direita, atravessaram a península do Sinai e chegaram à Skhul (Israel), no Oriente Médio, de onde se espalharam pelo mundo. 

Um desses grupos cruzou toda a Ásia seguindo as grandes manadas de mamutes e ingressou nas Américas pelo Alasca, há pouco mais de 14 mil anos. Passaram nas proximidades das atuais cidades de Edmonton (Canadá) e Clóvis (Estados Unidos), entrando no Brasil pela Amazônia, há 11,3 anos. Pararam apenas quando chegaram ao fim do mundo, na Patagônia.

O fóssil humano mais antigo encontrado em nosso país pertenceu a uma mulher que viveu em Minas Gerais, onde pretendemos encerrar nossa expedição.

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Produção: 360 Graus - Multimídia
Contatos: ortiz@360graus.com.br