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Na Trilha da Humanidade - 05
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Homo habilis
As distâncias na África não são medidas em quilômetros, mas em dias de viagem. Levamos sete dias entre a bacia sul do lago Turcana, no norte do Quênia, onde surgiram os australopitecos, até a garganta do rio Olduvai, no oeste da Tanzânia, onde foram encontrados os primeiros fósseis do Homo habilis, tido como sucessor dos australopitecinos.
Do Turcana voltamos a Nairóbi, onde desfizemos nossa expedição. Pegamos um ônibus público, cruzamos a fronteira - ao lado do monte Kilimanjaro - e aportamos em Arusha, na Tanzânia, para montarmos nova expedição. Alugamos outro Toyota Land Cruiser 4X4, contratamos motorista e cozinheiro, providenciamos equipamento de camping e mantimentos, e saímos na manhã seguinte, em direção oeste.
Ao anoitecer acampamos na parte superior das escarpas do Grande Vale Rift, um pouco acima do lago Manyara. Mais um dia na estrada e montamos novo acampamento, desta vez na borda da cratera do vulcão Ngorongoro, onde pudemos ver muitos animais selvagens.
Saímos cedinho e por volta do meio-dia chegamos à garganta do rio Olduvai, na planície Serengeti, coração do território massai, a tribo mais tradicional da Tanzânia. Visitamos o pequeno museu, ouvimos uma palestra e, graças a minha carteira de jornalista internacional, fornecida pela Federação Internacional de Jornalistas, com sede em Bruxelas, pudemos descer ao fundo do cânion para tirar fotos e bisbilhotar um pouco, o que não é permitido a outros visitantes.
Evolução
Descobertas científicas recentes sugerem que uma falha num gene associado ao tamanho do músculo da mandíbula, ocorrida há cerca de 2,4 milhões de anos, deixou-a menor, gerando um ser “aleijado”. A redução do tamanho da mandíbula e de seus músculos, no entanto, permitiu ao nosso “aleijadinho” o crescimento do cérebro – estava sobrando espaço na cabeça –, dando a esses descendentes de uma das espécies de australopitecos a capacidade de desenvolver aptidões para a fabricação de ferramentas.
Nessa época, um bípede cabeçudo e mãos bem desenvolvidas começou a alterar objetos naturais batendo rochas de cascalhos entre si para criar lascas de pedras com bordas afiadas, utilizadas para retalhar animais mortos por outros carnívoros. Ele também usava ossos como martelos e bigornas para quebrar outros ossos. Essa transição para o uso de ferramentas se constitui em outro marco em nossa evolução, dando origem ao Homo habilis.
Naqueles tempos, várias espécies humanas anatomicamente distintas freqüentavam simultaneamente a mesma região. Existem provas de que há cerca de 1,75 milhão de anos Homo habilis e australopitecinos conviveram na bacia do Olduvai.
Até hoje, o fóssil mais completo de Homo habilis continua sendo o OH 7. Ele consiste de um parietal esquerdo completo, fragmentos de um parietal direito, a maior parte de uma mandíbula, incluindo treze dentes, um molar superior e ossos de 21 dedos, mãos e punhos. Era um macho e tinha entre doze e treze anos quando morreu. Baseado no tamanho do peito do pé, seu peso foi estimado em 31,7 quilos.
O Homo habilis deve ter vivido na mesma época do Australopithecus boisei, embora um não fosse descendente do outro. Segundo a teoria de Leakey, os australopitecos representaram o fim de um dos galhos da evolução humana, enquanto o Homo habilis provavelmente evoluiu para o Homo sapiens. Embora fossem vizinhos de porta, apenas um deles seguiu em frente na linha evolutiva.
Os australopitecinos não se transformaram gradualmente nas primeiras espécies de Homo. O que aconteceu foi que as primeiras espécies de Homo se separaram de uma das espécies existentes de australopitecos - provavelmente do Australopithecus africanus - e aos poucos foram superando os predecessores. Há um milhão de anos, todos os australopitecinos já haviam desaparecido.
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