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Na Trilha da Humanidade - 06

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Homo ergaster

Voltemos ao lago Turcana, no Quênia, um pouco mais ao norte da vila Loyangalani, onde já estivemos quando falamos dos australopitecos. Agora vamos visitar a aldeia Layeni, onde vivem os pescadores El-Molo, uma tribo que deve sua existência ao lago, onde pescam e caçam crocodilos, tartarugas e mesmo hipopótamos. Os hipopótamos são perseguidos com arpões a partir de pequenas canoas construídas com folhas de palmeiras. Os guerreiros que conseguem matar um grande animal adquirem status social na tribo, podendo sentar-se ao lado dos anciões durante os rituais de adoração ao deus Wak. A região é extremamente árida e eles moram em cabanas feitas de palmeiras e barro. Mesmo assim, são constantemente atacados por outras tribos, especialmente turcana e samburu.

No passado distante a vida não era tão difícil nessa região, então coberta por florestas, pois foi nas margens do Turcana, tanto um pouco mais ao norte da aldeia como do outro lado do lago, que evoluímos para além do Homo habilis.

O Homo ergaster; os primeiros hominídeos totalmente eretos da África, por isso também chamados de Homo erectus africano - surgiu há 1,75 milhão de anos, supostamente uma ramificação genética bem-sucedida do Homo habilis, pois, além de manter as características desse ancestral, era um bípede mais ágil, especialmente devido à sua postura. Um crânio dessa idade, encontrado na margem ocidental do Turcana - ao norte da aldeia Layeni -, em 1975, mostra que, embora seu esqueleto fosse parecido com o homem moderno em tamanho físico, seu cérebro media pouco mais da metade do nosso. Tinha crânio alto e redondo, alojado numa caixa craniana com ângulos pronunciados na parte de trás e salientes arcadas supra-ciliares na frente.

Homo erectus
Até então, a nossa história estava confinada na África. O resto do planeta continuava completamente desabitado no que diz respeito aos nossos antepassados. Os australopitecos, o Homo habilis e o Homo ergaster se limitaram a viajar pelo continente. Mas depois que a primeira espécie do gênero Homo apareceu e começou a produzir novas variedades de Homo, pelos menos um desses grupos realizou algo que seus antecessores jamais haviam feito: deixou a terra natal e migrou para fora da África, provavelmente devido ao seu porte atlético, apto a vencer grandes distâncias em longas caminhadas.

Homo sapiens arcaico
Na Europa, a mais antiga prova da presença humana foi encontrada na Espanha e data de aproximadamente 800 mil anos atrás, uma espécie classificada como Homo heidelbergensis.

Os Homo heidelbergensis, ou seus descendentes, foram adquirindo novas feições, com esqueletos maiores e crânios mais arredondados e menos angulosos, evoluindo para um formato bastante semelhantes ao nosso, com cerca de 1.150 centímetros cúbicos.

Devido a tais características, eles foram classificados como Homo sapiens e não mais como Homo erectus. Entretanto, esses primeiros Homo sapiens, atualmente catalogados como Homo sapiens arcaicos, eram diferentes de nós em detalhes do esqueleto, ainda tinham cérebros significativamente menores e eram grosseiramente diferentes em seus artefatos e comportamento. Seu único acréscimo significativo ao desenvolvimento humano foi a utilização do fogo em larga escala.

Homo sapiens arcaico africano
Enquanto isso, os fragmentos preservados de esqueletos dos africanos que permaneceram no continente são mais parecidos com os nossos esqueletos atuais do que com os de Neanderthal, sugerindo uma maior evolução na espécie que ficou residindo na África, não acompanhada pelos que viviam fora do Continente Negro. Isso se explica pelo fato dessa região ser a mais povoada de todas. Altas densidades populacionais estão associadas a uma grande diversidade genética sobre a qual pode atuar a seleção natural, facilitando o trabalho da evolução e dando origem às novas variedades.

Mesmo assim, esse residente africano produzia basicamente os mesmos utensílios de pedra bruta que seus vizinhos da Europa e da Ásia. A julgar pelos ossos de espécies animais que capturava, sua habilidade para caçar não impressionava, se direcionando para as presas fáceis, animais sem periculosidade. Não conhecia ainda a possibilidade de carnear um búfalo, um porco ou outras caças que oferecessem perigo. Não conseguia nem pescar: em seus sítios, mesmo junto à costa, não foram encontrados vestígios de peixes. Embora fosse um pouco mais evoluído que os seus contemporâneos de Neanderthal, ainda situava-se um degrau abaixo do que consideramos completamente humano.

A espécie humana a qual todos nós pertencemos - o Homo sapiens sapiens -, a única que chegou à América, ainda estava por surgir.

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Produção: 360 Graus - Multimídia
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